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UM BRASIL MELHOR, PARA UM SETOR AINDA MELHOR

Na contramão da crise econômica que se instalou no Brasil nos últimos anos, o agronegócio segue uma tendência de crescimento e exibe números que revelam o dinamismo desse setor fundamental que, hoje, sustenta a balança comercial do País.

Segundo dados divulgados pelo IB GE no início de março de 2018, o PIB brasileiro cresceu 1,0% em 2017, na primeira alta após dois anos consecutivos de retração. O grande impulsionador do PIB de 2017 foi o agronegócio, que avançou 13% em 2017. Sem o agronegócio, o crescimento seria de 0,3%.

Desde a década de 1970 a produtividade do setor se multiplicou por cinco. Esse sucesso pode ser atribuído a um conjunto de fatores, sendo um dos principais a desregulamentação do agronegócio no início dos anos 1990, e com isso tornando-se cada vez mais uma economia de mercado. O Brasil tem um dos menores índices de subsídios estatais no agronegócio e, por isso, o setor se mantém à margem da crise.

A madeira é um dos setores mais ativos do setor no Brasil. O País é o maior exportador mundial de celulose de eucalipto, sendo que a celulose representa 70% do total das exportações do setor, que inclui também compensados e madeira nobre. A produção de celulose segue em expansão, registrando recordes consecutivos nos últimos anos. Tal resultado é derivado da demanda externa aquecida, principalmente na China e na Europa (principais mercados de destino). Cenário que continua positivo para 2018, com preços em elevado patamar e produção em crescimento.

Há décadas, a indústria de celulose do Brasil desenvolve biotecnologia e engenharia genética para as suas orestas plantadas, o que favorece signi cativamente a produtividade orestal brasileira, levando nossas produtoras de celulose a um patamar extremamente competitivo quanto ao custo de produção, sendo o menor custo de produção em nível mundial. Além disso, mais de 65% de toda a energia consumida pelo setor é autogerada no processo de produção de celulose, por meio da queima do licor negro, produzindo vapor.

Por outro lado, em situação totalmente oposta ao agronegócio – principalmente em comparação com a indústria de celulose – a indústria brasileira cou estagnada em 2017, após três anos consecutivo de queda. De modo geral, a indústria brasileira vem passando por um processo de extinção já há algumas décadas, principalmente a indústria de bens de capital. É clara a ausência de uma política industrial para o País. Os inúmeros programas de incentivo criados, o gasto de enormes quantidades de recursos subsidiados pelos tributos pagos pelos contribuintes, não resultaram em progresso. Programas equivocados e desonerações equivocadas resultaram apenas no aumento da dívida pública, sem alcançar os objetivos do desenvolvimento industrial, maior crescimento econômico e geração de empregos.

Enquanto o agronegócio se desenvolve e suporta a economia do País, os demais setores industriais cambaleiam tentando sobreviver, afetando substancialmente a geração de empregos, principalmente os empregos de valor. Sem uma indústria forte, atualizada em tecnologia e sintonizada com a inovação, pouco se pode esperar em termos de progresso. É necessário romper o círculo vicioso que se instaurou no setor industrial do País, no qual se ca esperando por ações governamentais e subsídios, em vez de se correr riscos por conta própria.

Uma Reforma Tributária séria e profunda faz-se premente. Não há como avançar no crescimento econômico com o sistema tributário vigente. Para redução da carga tributária é preciso diminuir o tamanho do Estado, que pesa demais nos ombros dos cidadãos. O custo do Estado Brasileiro não cabe mais no PIB. Com os gastos públicos no atual patamar, não há crescimento econômico razoável que sustente tamanho custo.

A indústria – por intermédio de suas entidades de classe – deveria iniciar já e de forma efetiva uma proposta de política industrial para recuperar o nível tecnológico do parque industrial brasileiro, sua produtividade e um nível de tributação aceitável para tal atividade. Isso seria, inclusive, subsídio para a reforma tributária. A indústria não deve car esperando ações do governo para se reestruturar, e a iniciativa privada deve liderar esse processo. A esperança de renovação e reconstrução da indústria brasileira ainda permanece viva dentro de cada cidadão que trabalha no setor industrial do País. É importante que as lideranças do setor industrial constituam, de fato, um grupo de trabalho sem pretensões políticas, mas dedicado a planejar com profundidade e ciência, os caminhos para um desenvolvimento industrial inclusivo, sustentável e de longo prazo.

O trabalho necessário é imenso, mas juntos é possível.

Por Luis Mario Bordini - Diretor-Presidente - Andritz Brasil Ltda.